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Gotas de Cidadania, Gotas de Projetos, horizonte ensolarado…

junho 25, 2010

Houve um tempo em que São Paulo era toda cortada por riachos, que apanhavam a água das chuvas nas cabeceiras do rios e a carregavam morro abaixo até o Tietê, e de lá para o sertão do estado, até a divisa com o Mato Grosso. Mas a cidade, com seus tentáculos de asfalto, engoliu os riachos. Confinou a água em canos e cobriu os canos com cimento. Sobre esse cimento ainda vivem pessoas teimosas o suficiente, para acreditar que a cidade pode se reestruturar, como pensamento e como paisagem, vontades que se juntam como água morro abaixo, naturalmente, fluidamente.

Em um belo dia de verão, alguns habitantes da cidade de São Paulo receberam uma idéia por e-mail, “chega de falar, é hora de fazer”. Para provocar a ação o jornalista Denis Russo tinha uma revista em mãos, a Revista Gotas que ele mesmo tinha editado. E foi com a desculpa de fazer uma nova edição da revista que ele juntou algumas pessoas em uma reunião no Tendal da Lapa, apoiado pela então subprefeita, Soninha Francine. Eram pessoas que no geral não tinham muito mais a oferecer além da vontade de por a mão na massa e deixar uma marca positiva num espaço público, fosse rua, praça, escola ou outro lugar qualquer. O que fazer e onde fazer eram questões que deveriam ser pensadas durante o processo de amadurecimento da idéia e do reconhecimento do bairro.Veja o blog.

Em uma expedição pelo bairro com a subprefeita, essa viela estranha de 400 metros, cercada dos dois lados pelos muros ásperos dos fundos das casas entre as praças São Crispim e Octavio Perez Velasco foi encontrada. Foi amor à primeira vista, ou melhor, à primeira audição. Afinal de contas não é todo dia que se ouve, numa metrópole, o ruído de uma cachoeira. E embora não fosse possível ver a água, era possível ouvi-la. Decidiram que aquele era o lugar que procuravam, ali existiam histórias que precisavam ser descobertas e transformadas em ações. Ações locais, possíveis, transformadoras.

Começaram os encontros aos sábados na praça, algumas coisas estão registradas no Flickr da revista. Além de diversas idéias, as pessoas começaram a fazer as coisas, algumas pintaram, outras plantaram, outras foram entrevistar os moradores e entender melhor as histórias dali, outras realizaram uma exibição de filme ao ar livre e hoje novas formas de intervenção estão sendo projetadas para o beco. Conversando com as pessoas do bairro descobriram uma comunidade cheia de moradores antigos, de imigrantes, de gente que viu de camarote uma cidadezinha virar uma megalópole.

Gente que em mês de Festa Junina se junta, cada um com uma coisa, faz um fogueira e fica na praça até tarde. Esse ano todos se juntaram para a Festa Junina Comunitária do próximo dia 26/06, Sábado, às 15h, que será realizada na “na praça de cima” Octavio Perez Velasco. E vão acontecer outras festas bem ali perto. A noite acontece a quermesse da R. Marapuama, com diversas atrações, mas que custará R$ 7,00 de entrada.

De manhã no mesmo dia, em uma praça não tão perto, mas na mesma região, acontece uma outra Festa Junina Comunitária, organizada pelo Movimento Boa Praça que se uniu ao CJ da Vila Anglo e a Escola Estadual Mauro de Oliveira para promover uma grande Festa Junina dentro da escola e na Praça que fica bem em frente a ela. Toda a renda será revertida para o CJ da Vila Anglo, Centro que atende 110 crianças e adolescentes no horário em que elas estão fora da escola e 60 adultos no curso de alfabetização.

Essa série de ações e movimentos que são bem representadas pelo Movimento Boa Praça, nos mostram que ainda existem cidadãos que acreditam que São Paulo pode ser uma comunidade boa de se viver se um pouco cuidada. Pessoas que acreditam que a festa, a rua, a praça, são para você, para eles, para todos. Pessoas que entregando suas gotas persistem na certeza de valer a pena.